Vivemos cercados por notificações, prazos, opiniões instantâneas e respostas rápidas. Nunca tivemos tanto acesso à informação e, paradoxalmente, nunca pareceu tão difícil encontrar tempo para refletir. É justamente dessa inquietação que nasce Pensar: pensamento crítico, sistêmico e criativo para decidir, criar e agir em contextos complexos, novo livro da escritora, professora e palestrante Maria Flávia Bastos.

Longe de oferecer fórmulas prontas ou receitas para uma vida melhor, a obra propõe um convite raro: desacelerar para compreender. Ao reunir filosofia, educação, experiências profissionais e cenas do cotidiano, Maria Flávia constrói uma reflexão sobre a forma como pensamos — ou deixamos de pensar — em uma época marcada pela velocidade, pelo excesso de estímulos e pela fragmentação da atenção.

Ao longo do livro, referências como Byung-Chul Han, Hannah Arendt, Michel Foucault, Edgar Morin e Ailton Krenak dialogam com histórias, memórias e situações concretas da vida contemporânea. O resultado é uma leitura que aproxima conceitos complexos da experiência cotidiana e convida o leitor a ampliar sua maneira de interpretar o mundo.

Mais do que desenvolver o pensamento crítico, a autora propõe uma integração entre diferentes formas de pensar. O pensamento crítico aparece como ferramenta para questionar e discernir; o pensamento sistêmico amplia a capacidade de compreender relações, conexões e consequências; e o pensamento criativo abre espaço para imaginar possibilidades ainda não existentes. Em um cenário cada vez mais complexo, essas competências deixam de ser diferenciais e passam a ser essenciais para decidir, criar e agir com consciência.

Ao discutir temas como autonomia, criatividade, trabalho, liderança, subjetividade e convivência, Pensar também questiona uma lógica contemporânea que associa produtividade à aceleração constante. Segundo a autora, a perda dos espaços de contemplação, silêncio e imaginação compromete não apenas nossa capacidade intelectual, mas também a qualidade das relações humanas e das decisões que tomamos.

Em vez de responder às perguntas do nosso tempo, o livro procura fortalecer a capacidade de formulá-las melhor. Afinal, compreender a complexidade exige mais do que rapidez: exige atenção, escuta, repertório e disposição para conectar diferentes perspectivas.

A principal mensagem da obra talvez esteja sintetizada em uma imagem recorrente ao longo do texto: abrir os pulmões do pensamento para exercer a liberdade. Em um mundo que nos convida permanentemente à reação imediata, pensar torna-se um ato de resistência, de autonomia e, sobretudo, de humanidade.