O DIA EM QUE MEU CORAÇÃO DEMOCRATA ME FEZ A MENINA DO BRASIL

 

Eu estava em uma pequena maratona: BH, Rio e Belém, com escala em Recife na ida e Brasília na volta. E, embora preocupada com o possível cansaço, como sempre, estava esperançosa pelo que viria.

 

Na jornada Rio – Belém, na primeira etapa que era a conexão em Recife, entro na aeronave e me deparo com um casal de pernambucanos mais velhos  (moradores do Rio) que viajavam de avião pela primeira vez. Estavam completamente atordoados com a novidade e, quando vi que eles estavam em cadeiras separadas, troquei de lugar com a senhora que poderia ficar de mãos dadas com o marido. Dei a ela meu lugar na janela e fui pra fileira de trás sentar no meio de sei lá quem viria.

 

Pedi aos céus que me mandassem pessoas legais já que a viagem seria beeemm longa. E não é que fui atendida? O primeiro que vi entrar foi o Dadi, da Cor do Som. Meu coração acelerou e minha cabeça já gritava “Zanzibar”. Sentou-se bem atrás de mim. Logo depois entrou Pepeu Gomes que ficou do outro lado, diagonal a mim. Por fim, Moraes Moreira entra e se  senta ao meu lado. Cumprimenta, arruma os cabelos e solta um sorriso.

 

Ainda que ficássemos em silêncio, a atmosfera que me rodeava era a da minha casa, das nossas festas no quintal, dos amigos e da família que me ensinou a importância histórica e musical daquelas pessoas.

 

Mas não houve silêncio. Moreira não somente sorriu. Quis saber meu nome, pra onde eu iria e o que eu fazia. Contei das palestras e falamos de Deus, gente, música e poesia. Eu, encantada, agradecia aos céus o presente que estava recebendo.
Chegamos. Nos despedimos. Desejamos sorte. Dadi ainda pegou minha mala. Trocamos sorrisos, falamos do tempo que passou e do que há de vir. Desejei talvez ter contado a eles sobre minha baianidade, sobre os discos que tinha em casa, sobre os shows que já fui. Mas não falei. Não tirei fotos.  Não senti falta  das selfs. A história da música, da musicalidade, da baianidade já fotografava isto.

 

Eu vi e senti a comunidade musical dos novos baianos. E isso bastou para que, até o sol raiar, eu, menina, dançasse de alegria… Cheguei ao meu destino. E com meus olhinhos, meu nariz não arrebitado sinto cheiro do pássaro Pégaso. Vejo a beleza do Menino Deus. Vejo Raiar a luz que sempre vivi.

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