A EDUCAÇÃO DO FUTURO – Estamos preparados?

Poucos dias depois do Dia Internacional da Educação que se comemora no dia 28 de abril, acordei me lembrando de Chico César que, na sua poesia descreve uma das mais belas cenas que eu gostaria de ter visto: “a cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire”. E é por conta dessa cena que proponho refletirmos sobre uma educação para a generosidade.

Tenho andado bastante angustiada com o monte de necessidades – quase imposições – que surgiram recentemente no cenário da nossa educação. Palavras de ordem ditas como certezas absolutas têm me assustam: _Precisamos inovar a educação! Precisamos de professores inovadores! Precisamos de salas de aulas inovadoras! Precisamos de empresas e profissionais inovadores! Mas, será mesmo? A inovação é para todos? Tudo o que há na educação está realmente errado? Eu acho que não! Aliás, Deus me livre do dia em que haja um mundo onde todos sejamos iguais! Todos e todas moldados por uma inovação heroica que, de tão exigida, se tornará compulsória. A educação é plena e pode ser vivida de todas as maneiras.

O processo ensino-aprendizagem é dialogal e caminha por várias vertentes. É a diversidade que nos torna humanamente imperfeitos e lindos. É ela, talvez, a única chance que temos de (trans)formar nossos ambientes de educação em templos geradores de autoconhecimento e reflexões sobre nossa sociedade, nossa contemporaneidade, nossa complexidade.

Nos eventos que frequento (acadêmicos ou não), a palavra de ordem é mudar. Até porque mudar é necessário. A mudança dá sentido à continuidade e não é uma ideia contemporânea, nascemos com ela. Mas, a partir desse incômodo, muitas tentativas vão se desenhando e, com elas, descortinam-se desejos, debates e embates. E olha que tem muita gente bacana nessa peleja – de dentro e de fora das escolas, que vêm se organizando e prometendo revolução (ainda que de maneira mais discursiva que prática) no resgate da educação. E, com isso, vejo brotar uma arena de disputas por verdades, espaços e poder.

Vejo desarticulação e afastamento de grandes possibilidades de realização de projetos conjuntos, assisto às realizações isoladas, por vezes muito parecidas entre si, em subgrupos cada dia mais donos de si. Quem, afinal, tem razão? Não podemos mesmo caminhar juntos?

Tenho medo de que “letrados” e “iletrados”; acadêmicos e não acadêmicos sigam compondo essa melodia desarticulada que estabelece barreiras cada dia mais sólidas, cada dia mais difíceis de serem dissolvidas, cada dia mais egoístas e isoladas, mais distantes da junção de Paulo Freire e sua cigana.

Então, que continuemos mudando, mas deixando vivas nossas diferenças e contradições. Que possamos aprender com a leitura livre da cigana, com sua vida nômade, não normativa. E que ela, a cigana, leia nas mãos dos entusiastas da educação, que num futuro bem próximo, a leitura não estará apenas nas mãos de quem pega o livro, mas de quem acredita na generosidade de dividir, de compartilhar, de ensinar e aprender como um gesto de trocar e amar.

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